Seis meses depois, uma em cada quatro pessoas respondeu. Eis o que disseram.

No último ciclo, das 684 pessoas contactadas seis meses depois do curso responderam 171, uma taxa de 25 por cento. Fonte: Relatório Anual de Impacto Pós-Formação. Dessas, 67,8 por cento declararam impacto na sua atividade.
Quem foi contactado, e quando?
Toda a gente que concluiu o curso de formação pedagógica inicial no ano passado e ficou elegível para o acompanhamento, que se faz seis meses depois do fim de cada ação com um questionário próprio de onze perguntas em duas dimensões. Fonte: Relatório Anual de Impacto Pós-Formação, e resposta da Coordenação Pedagógica ao Pedido 5, de 21 de setembro.
A base é de 684 pessoas contactadas. É a primeira coisa a dizer e é a que mais se omite, porque uma percentagem sem base é um adjetivo com dígitos.
Quantas responderam?
171, o que dá 25 por cento. A meta interna era de 30, e não foi cumprida. Está no balanço anual como parcial, e a ação corretiva decidida foi de lembretes faseados e simplificação do questionário.
Ficam duas leituras, e nenhuma anula a outra. A primeira é que 171 respostas seis meses depois de um curso é uma amostra que permite dizer coisas. A segunda é que três em cada quatro pessoas não responderam, e sobre essas o relatório não diz nada, porque não pode. Quem apresenta o resultado sem esta segunda leitura está a apresentar metade.
Um dado de comparação, para não deixar o número sozinho: na outra linha de formação medida no mesmo relatório, com 29 pessoas contactadas, responderam 17, uma taxa de 58,6 por cento. A base pequena explica parte da diferença, e a explicação não a apaga.
O que disseram?
Das 171 pessoas, 67,8 por cento declararam impacto da formação na sua atividade. A meta era de 60 por cento e foi cumprida.
Impacto declarado quer dizer exatamente isso: a pessoa diz que a formação teve efeito. Não é uma medição do efeito. É a medição de uma perceção, e vale o que vale uma perceção seis meses depois, que não é pouco nem é tudo.
Para pôr o resultado ao lado do que se recolhe no fim do curso, no mesmo ciclo o questionário de avaliação da qualidade teve uma taxa de resposta de 82,7 por cento na formação de formadores, a satisfação global ficou entre 4,2 e 4,9 em 5 conforme a linha, e 94,2 por cento recomendariam a formação. Fonte: Balanço de Atividade Formativa, da própria entidade.
Repare na diferença entre os dois momentos. No fim do curso, quatro em cada cinco pessoas respondem. Seis meses depois, uma em quatro. A distância entre os dois números é a distância entre a satisfação e o impacto, e é nela que a medição custa.
O que se faz com isto?
Publica-se com a base, que é o que este artigo faz. E tenta-se subir a taxa de resposta, que é a única forma de a segunda leitura deixar de pesar tanto.
Este ano, segundo a Coordenação Pedagógica, o questionário mantém-se igual e o modo de recolha também, com os lembretes faseados como novidade.
Um Observatório não serve para mostrar números bons. Serve para mostrar números com base, o que, quando corre bem, coincide.
Quadro-resumo
| Medição | Base | Resultado | Meta |
|---|---|---|---|
| Qualidade, no fim do curso: taxa de resposta | Todas as ações do ciclo | 82,7 % | 70 %, cumprida |
| Qualidade: satisfação global | Idem | 4,2 a 4,9 em 5 | 4,0, cumprida |
| Qualidade: recomendação | Idem | 94,2 % | Cumprida |
| Eficácia, seis meses depois: contactados | 684 pessoas | ||
| Eficácia: respostas | 684 | 171, ou 25 % | 30 %, parcial |
| Eficácia: impacto declarado | 171 respostas | 67,8 % | 60 %, cumprida |
Fontes
1. Balanço de Atividade Formativa de 2025 e Relatório Anual de Impacto Pós-Formação de 2025, documentos do sistema de qualidade da entidade. Resposta da Coordenação Pedagógica ao Pedido 5, de 21 de setembro de 2026.
Se recebeu o questionário
Se concluiu o curso connosco e recebeu o questionário seis meses depois, responda. É a única forma de a segunda leitura pesar menos.