O instrumento por dentro: 36 perguntas, quatro dimensões e os dois sítios onde falhou

O questionário aplicado no fim de cada ação tem 36 itens fechados em quatro dimensões, mais apreciação global, campo aberto e item de recomendação, numa escala de qualidade de cinco pontos. Este texto mostra como funciona, o que não consegue medir, e onde falhou em 2025.
O que é perguntado, e a quem?
O instrumento chama-se Avaliação do Processo Formativo e aplica-se no encerramento de cada ação, a todas as pessoas que a concluem. As 36 perguntas fechadas distribuem-se por quatro dimensões: a organização da formação, os recursos mobilizados, o desenvolvimento da formação e a equipa formadora. A escala é de qualidade: 1 Insuficiente, 2 Suficiente, 3 Bom, 4 Muito Bom, 5 Excelente.
Em 2025 responderam 653 das 790 pessoas que concluíram, e o tratamento incidiu sobre 19 733 avaliações item a item. É esta a base que sustenta tudo o que a série publica.
| Base de apuramento | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Ações de formação realizadas em 2025 | 64 | cinco com término em janeiro e fevereiro de 2026 |
| Ações lidas nesta série | 59 | iniciadas e concluídas dentro do ano |
| Pessoas que concluíram | 790 | universo do questionário |
| Questionários válidos | 653 | taxa de resposta de 82,7% |
| Avaliações item a item | 19 733 | soma dos itens efetivamente respondidos |
| Respostas abertas | 69 | 10,6% de quem respondeu |
Quadro · Universo e base de cálculo do exercício de 2025.
Como se garante o anonimato?
Desde janeiro de 2024 o preenchimento é eletrónico. A resposta é anónima e não recolhe elementos que permitam identificar quem responde, pelo que o tratamento estatístico não incide sobre dados pessoais. O campo de contactos para ações futuras é facultativo, de preenchimento voluntário, e é tratado em suporte separado da análise.
Porque é que a base muda de item para item?
Porque cada média é calculada sobre as respostas válidas do respetivo item, excluindo omissões. Por isso a base acompanha cada valor publicado: a dimensão da equipa formadora soma 9 938 avaliações e a do desenvolvimento da formação 1 959.
Há aqui uma distinção que convém fixar, porque é ela que explica números aparentemente estranhos. A base publicada nesta série conta avaliações item a item, não pessoas. Uma pessoa que responde a 36 itens produz até 36 avaliações, e uma dimensão com mais itens acumula uma base maior sem que isso signifique mais pessoas a responder. Um relatório que aplica uma base única a tudo está a esconder a variação exatamente onde ela mais informa.
Onde é que o instrumento falhou em 2025?
Em dois sítios, e ficam registados. A apreciação global da ação recolheu 172 respostas e o item de recomendação 81 conclusivas, contra as 653 do corpo do questionário. Ambos estavam configurados como facultativos e ficaram no fim de um formulário longo, que é o sítio onde as pessoas param de responder. Os valores publicam-se com a base sempre à vista, e a correção está decidida: os dois itens passam a resposta obrigatória.
Registou-se ainda uma divergência entre o total de inscrições do balanço anual, 845, e o somatório do quadro mensal de atividade, 857. A diferença está identificada, e a conciliação com fonte única de dados faz parte do plano de correção do exercício. Até lá, os dois números convivem, declarados. Melhorar a medição vem antes de melhorar o número.
O que este questionário não consegue medir?
Três coisas, e nenhuma delas é defeito de execução: é o que este tipo de instrumento não alcança, por natureza.
Mede perceção no encerramento, não aprendizagem. Uma classificação alta na utilidade dos conteúdos diz que a pessoa reconheceu utilidade, não que passou a fazer melhor o que fazia. Mede o momento da saída da sala, não a transferência para o trabalho, que é matéria do segundo instrumento, aplicado aos seis meses e publicado a 26 de agosto. E não ouve quem não chegou ao fim, porque o universo é constituído por quem concluiu: uma desistência a meio da terceira semana não entra nestes 4,49.
Quem verifica estes números?
Três camadas, e convém saber se existem todas. Por dentro, uma auditoria interna anual ao sistema de gestão da qualidade, com constatações registadas e planos de correção com prazo. Por fora, a certificação da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, no processo C877, que obriga as entidades certificadas a avaliar a satisfação de quem se forma e a documentar o tratamento dos resultados. E, sobre as duas, a publicação: a partir de agora, o que o instrumento apura fica onde qualquer pessoa o pode ler.
Como se lê um relatório destes em geral, seja de quem for, está explicado numa publicação do Instituto Unicenter de 6 de agosto. A leitura completa das quatro dimensões deste curso sai a 12 de agosto. As próximas turmas estão no calendário de formações.